Tatiana Coelho-Sampaio
1966-10-04 — ? · brasileira · biologia regenerativa
Vinte e cinco anos de pesquisa pública, três milhões de reais, e o anúncio que emocionou o país não partiu mais da universidade.
polilaminina — uma forma estabilizada da laminina, proteína que o corpo usa como andaime para o crescimento dos nervos, obtida acidificando o meio até que a proteína se remonte sozinha (2000)a laminina extraída de tecido perde a estrutura em rede que faz a célula responder; acidificar o meio devolve essa estrutura, e é a estrutura, não a proteína, que sinaliza para o nervo crescer
Crédito atribuído a Laboratório Cristália — comprou as patentes da polilaminina da UFRJ, registrou as patentes da substância em 2022 e anunciou a produção do medicamento em 2025, alegando que ele é seguro e eficaz
Em que este vídeo se apoia
O vídeo inteiro depende destas 4 afirmações. Se alguma delas cair, o vídeo cai junto. Os links vão direto para a fonte.
T2 revisada Os próprios autores do estudo em humanos escrevem que o desenho do estudo não permite conclusões sobre eficácia, e que o trabalho oferece prova de conceito que justifica avaliação em estudos clínicos controlados
T2 revisada Em 2016 a universidade informou que não tinha recursos para a anuidade da patente brasileira, e a própria pesquisadora pagou cerca de quinhentos reais para manter a licença válida
T2 revisada Os pedidos nos Estados Unidos e na Europa deixaram de ser pagos em 2014, após avaliação da universidade de que não valia mais a pena arcar com os custos
T2 revisada A empresa depositou uma nova patente, do processo de extração, purificação e polimerização, e repetiu o pedido no exterior em 2023, em países como China, Índia e Estados Unidos
Cronologia
| 1966-10-04 | Tatiana Lobo Coelho de Sampaio nasce no Rio de Janeiro T2 revisada |
| 1997 | começa no laboratório da UFRJ a linha de pesquisa sobre a polilaminina, que coordena desde então T3 terciária |
| 1999 | o estudo que descreve a polimerização da laminina por acidificação é recebido para publicação T3 terciária |
| 2000 | publicado o achado de que acidificar o meio até pH 4 remonta a laminina instantaneamente, sem precisar de alta concentração de proteína T3 terciária |
| 2007 | é depositado no INPI o primeiro pedido de patente, de uma versão ainda inicial da substância T2 revisada |
| 2010 | publicados os resultados em ratos: a injeção local de polilaminina promoveu regeneração e recuperação motora que a laminina comum não produzia T3 terciária |
| 2011-03-05 | o pedido de patente no escritório mundial consta como cessado por expiração antecipada T2 revisada |
| 2014-08-05 | o pedido nos Estados Unidos consta como abandonado após falha em responder a uma ação do escritório T2 revisada |
| 2014-12-11 | o pedido na Europa consta como retirado T2 revisada |
| 2016 | começa o estudo em seres humanos, antes das exigências atuais de registrar o ensaio clínico antes do início T2 revisada |
| 2016 | a universidade informa que não tem recursos para a anuidade da patente brasileira e a pesquisadora paga cerca de quinhentos reais do próprio bolso para mantê-la T2 revisada |
| 2022 | a UFRJ comercializa a polilaminina por três milhões de reais, divididos entre a universidade, os inventores e o instituto; no mesmo ano a empresa registra a patente dos processos de fabricação, que vale até dezembro de 2042 T2 revisada |
| 2023 | a empresa repete no exterior o pedido de patente do processo de fabricação, em países como China, Índia e Estados Unidos T2 revisada |
| 2024-02 | os primeiros dados em humanos são divulgados como pré-print, antes da revisão por outros pesquisadores T2 revisada |
| 2025-09 | a farmacêutica anuncia a produção da polilaminina e alega que a substância é segura e eficaz para tratar lesões medulares T3 terciária |
| 2026-02 | a pesquisadora, agora consultora da empresa, concede entrevistas promovendo a substância e anuncia o início da fase 1 dos testes clínicos T3 terciária |
| 2026-03 | ela confirma que os resultados divulgados como pré-publicação foram rejeitados por três revistas científicas, e um coautor aponta ausência de grupo controle e amostra pequena T3 terciária |
O que se diz × o que os documentos mostram
A versão que circula
Que uma cientista brasileira já curou a paralisia, que o remédio está pronto, e que só a burocracia e o interesse de fora impedem que ele chegue aos pacientes.
O que a apuração encontrou
Os próprios autores escrevem, no artigo publicado, que o desenho do estudo não permite conclusões sobre eficácia: o trabalho é prova de conceito e justifica avaliação em estudos controlados. Foram oito pacientes, todos tratados, sem grupo de comparação. Um dos coautores aponta ausência de grupo controle e amostra pequena, três revistas recusaram o trabalho, e o presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia diz que não se pode inferir que a melhora veio da medicação.
A versão que circula
Que a descoberta foi tirada dela, ou tomada de assalto por uma empresa.
O que a apuração encontrou
Não houve subtração, houve transferência: a UFRJ comercializou a polilaminina em 2022 por três milhões de reais, divididos entre a universidade, os inventores e o instituto, e no mesmo ano a empresa registrou as patentes da substância. O nome dela continua na descoberta; o que mudou de mãos foi o controle do que vem depois.
A versão que circula
Que o Brasil perdeu a patente internacional da polilaminina por causa dos cortes de verba de 2015 e 2016.
O que a apuração encontrou
A pesquisadora atribuiu a perda a cortes federais de 2015 e 2016, mas as datas dos registros são anteriores: o escritório mundial marca cessação em 5 de março de 2011, o norte-americano marca abandono em 5 de agosto de 2014 e o europeu marca retirada em 11 de dezembro de 2014. Ela própria conta que houve avaliação técnica de que as patentes não seriam concedidas, que o custo era alto, e que a decisão lhe foi comunicada sem que ela concordasse. E uma especialista em propriedade intelectual lembra que é comum universidades manterem patentes internacionais só até certo ponto, porque o esquema de patentes é de quem já visa mercado.
Desfecho
O crédito científico nunca saiu do lugar: a descoberta é dela e ninguém disputa isso. O que saiu de lugar foi o comando. A patente da molécula, depositada em 2007, está chegando ao fim — e o que protege o medicamento hoje é outra, registrada pela empresa em 2022 sobre os processos de fabricação, válida até dezembro de 2042 no Brasil e, pelo pedido internacional de 2023, até 2043. A pesquisadora chegou a pagar cerca de quinhentos reais do próprio bolso, em 2016, para a universidade não perder a patente brasileira. Enquanto isso a fase 1 corre com cinco pacientes, o laboratório avisa que a eficácia deve cair quanto mais tempo passa desde a lesão, e a Anvisa já autorizou 33 pessoas a receber a substância fora dos estudos, por decisão judicial. A SBPC e a Academia Brasileira de Ciências resumiram o caso como uma tensão estrutural da ciência brasileira, e citaram, entre os pontos, a gestão da propriedade intelectual.
Ressalvas
• Os prazos de validade das patentes (a da universidade e as da empresa) circulam na imprensa mas não estão no material apurado, e por isso não aparecem no card nem podem aparecer no roteiro.
• Caso vivo: a fase 1 estava em curso na data da apuração e há pacientes buscando a substância na Justiça. Nada neste card afirma que a polilaminina funciona ou deixa de funcionar.
• As datas de extinção dos pedidos internacionais e o reconhecimento de erros no pré-print entraram por IMPRENSA CURADA À MÃO: os trechos foram conferidos contra as páginas baixadas, mas a apuração é do veículo, e a escolha do recorte é humana. O card cita tanto a versão da pesquisadora (ref-20, ref-26, ref-28) quanto os registros que a contradizem (ref-21, ref-22, ref-23).
• Os prazos de validade das patentes (a brasileira e as da empresa) circulam na imprensa mas não foram curados para este dossiê, e por isso não aparecem no card nem podem aparecer no roteiro.
• Divergência sobre os royalties: a Wikipédia (ref-8) diz que a UFRJ comercializou a polilaminina em 2022 e cita o Instituto de Ciências Biológicas; a Exame (ref-41) diz que os R$ 3 milhões foram pagos em dezembro de 2023 e cita o Instituto de Ciências Biomédicas. Podem ser o contrato e o pagamento. O roteiro não afirma nada que as duas contradigam: fala em 2022 para a comercialização e só "o instituto", sem nome.
• As fontes não permitem nomear as três recusas. A ref-11 (Wikipédia, março de 2026) diz que a publicação foi rejeitada por três revistas; a Gazeta do Povo (ref-42) nomeia duas, Springer Nature e Journal of Neurosurgery, ao falar da versão revisada. O diagrama do bloco 33 nomeia essas duas e deixa a terceira porta sem nome.
Fontes
- T2 revisada
Tatiana Coelho-Sampaio nasceu em 4 de outubro de 1966, é brasileira e atua em biologia regenerativa“data de nascimento: 1966-10-04 - local de nascimento: Rio de Janeiro - nacionalidade: Brasil - ocupação: biólogo - ocupação: professor - área de atuação: Biologia regenerativa”
- T3 terciária
Ela coordena na UFRJ o laboratório onde estuda a polilaminina desde 1997“Atualmente, é coordenadora do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, um laboratório de pesquisa de bioquímica e biofísica de proteínas, mais especificamente a polilaminina, que ela estuda desde 1997.”
- T3 terciária
O achado fundador — acidificar o meio a pH 4 polimeriza a laminina na hora — foi recebido para publicação em maio de 1999 e publicado em janeiro de 2000, com Elisabete Freire“Em um estudo recebido para publicação em maio de 1999 e publicado em janeiro de 2000, Sampaio, juntamente com Elisabete Freire, demonstraram que a simples acidificação do meio para pH 4 induzia a polimerização instantânea da laminina, independentemente de altas concentrações de proteína ou da presença de superfícies lipídicas.”
- T2 revisada
O próprio grupo registrou na literatura que a acidificação aumenta muito a eficiência da automontagem da laminina e comparou as matrizes obtidas em meio neutro e ácido quanto à capacidade de induzir o crescimento de prolongamentos em neurônios“Previously, we showed that pH acidification dramatically increased the efficiency of laminin self-assembly, practically abolishing the necessity for a minimal protein concentration. Here we have characterized the morphologies of laminin matrices produced in either neutral or acidic conditions and compared their capacities to induce neuritogenesis of rat embryonic cortical neurons.”
- T2 revisada
Em ratos, a injeção local de polilaminina — e não da laminina não polimerizada — melhorou a função motora após lesão da medula“Here we investigated whether a biomimetic polymer of laminin assembled on pH acidification, henceforth called polylaminin, could be used to treat SCI in rats. Acute local injection of polylaminin, but not of nonpolymerized laminin, improved motor function after thoracic compression, partial or complete transection.”
- T2 revisada
O estudo em seres humanos foi um piloto de braço único, com oito pacientes de lesão medular completa, desenhado para avaliar segurança e viabilidade“Study design Investigator-initiated, single-arm, first-in-human pilot study. Objectives To evaluate the safety and feasibility of intramedullary administration of polymerized laminin in individuals with acute complete spinal cord injury (SCI). Setting Public and private hospitals in Brazil. Methods Eight patients with acute traumatic SCI classified as AIS A (C4–T12) were enrolled within days after injury (mean 2.3 da”
- T3 terciária
Os resultados em ratos foram publicados em 2010 e mostraram o que a laminina comum não fazia“Em 2010 foram publicados resultados demonstrando que a injeção local de polilaminina promovia a regeneração e recuperação motora em ratos com lesão medular, algo que a laminina comum não era capaz de fazer.”
- T3 terciária
A UFRJ comercializou a polilaminina em 2022 por três milhões de reais, divididos entre universidade, inventores e instituto, e no mesmo ano a empresa registrou as patentes“A polilaminina foi comercializada pela UFRJ em 2022. Os três milhões de reais obtidos foram divididos entre a universidade, os inventores e o Instituto de Ciências Biológicas da UFRJ. No mesmo ano a empresa farmacêutica brasileira Cristália registrou as patentes relacionadas à substância.”
- T3 terciária
A substância virou assunto nacional depois que a farmacêutica anunciou a produção em setembro de 2025 e alegou que ela é segura e eficaz“A substância se tornou popular no Brasil após a farmacêutica Cristália anunciar a produção da polilaminina em setembro de 2025 e alegar que a substância é segura e eficaz para tratar lesões medulares.”
- T3 terciária
Em fevereiro de 2026 ela deu entrevistas promovendo a substância, já como consultora da empresa, e anunciou a fase 1“Em fevereiro de 2026, Tatiana Sampaio, professora da UFRJ e consultora da empresa, concedeu várias entrevistas promovendo a substância como tratamento potencial para lesões medulares e anunciou o início da fase 1 dos testes clínicos.”
- T3 terciária
Em março de 2026 ela confirmou que três revistas científicas recusaram o estudo, e um coautor apontou ausência de grupo controle, viés de confirmação e amostra pequena“Em março de 2026, Sampaio confirmou que a publicação dos resultados, que haviam sido divulgados na forma de pré publicação, foi rejeitada por três revistas científicas, mas insistiu que a substância é eficaz. O médico Paulo Louzada, coautor da pré publicação, afirmou que o estudo tem falhas metodológicas como a ausência de grupo controle, viés de confirmação, amostra pequena e falta de teste do reflexo bulbocavernoso”
- T3 terciária
O presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia afirma que não é possível inferir que a melhora veio do medicamento“"Não tem nenhum caso em que você pode inferir que foi a medicação que fez isso. Nós não sabemos nem a dose", afirmou Osmar Moraes, presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN).”
- T3 terciária
A SBPC e a Academia Brasileira de Ciências afirmam que o caso expõe tensões estruturais do sistema brasileiro de ciência, entre elas a gestão da propriedade intelectual“a trajetória da polilaminina expõe tensões estruturais do sistema brasileiro de ciência, tecnologia e inovação, especialmente quanto à validação científica, à gestão da propriedade intelectual, à comunicação pública e à articulação entre pesquisa, regulação e políticas de saúde”
- T1 primária
A linha de pesquisa sobre a estrutura da laminina e a sinalização para o crescimento de nervos tem registro no Journal of Cell Science, com Elisabete Freire como primeira autora e Tatiana Coelho-Sampaio como última - T3 terciária
Na fase 1 autorizada, cinco pessoas com lesão medular completa recebem dose única em até 48 horas do trauma e são acompanhadas por seis meses“Nesta etapa, cinco pessoas com lesão medular completa receberão dose única da polilaminina até 48 horas após o trauma. Os pacientes serão acompanhados por seis meses para avaliar a ocorrência de reações adversas graves.”
- T3 terciária
A divulgação sem publicação revisada por pares levou ao aumento da judicialização para uso compassivo da substância“Apesar da ausência de publicações revisadas por pares que confirmassem as alegações de Sampaio e da empresa, a divulgação levou ao aumento nos casos de judicialização para uso compassivo da substância.”
- T2 revisada sustenta a tese
Os próprios autores do estudo em humanos escrevem que o desenho do estudo não permite conclusões sobre eficácia, e que o trabalho oferece prova de conceito que justifica avaliação em estudos clínicos controlados“Although the study design does not allow conclusions regarding efficacy, it provides proof-of-concept for this therapeutic approach and justifies further evaluation in controlled clinical studies.”
- T2 revisada
O estudo em seres humanos começou em dezembro de 2016, antes das exigências atuais de registro do ensaio clínico antes do início“The study was initiated in December 2016, prior to current requirements for prospective trial registration.”
- T2 revisada
A exclusividade de fabricação vem da única patente ativa da polilaminina, registrada no Brasil no INPI; os pedidos na Europa, nos Estados Unidos e no escritório mundial foram todos perdidos“A substância chegou a ser submetida para patenteamento na Europa, nos Estados Unidos e em um escritório de âmbito mundial. Todos os registros, porém, foram perdidos.”
- T2 revisada
A pesquisadora atribuiu a perda das patentes internacionais a cortes de verbas federais de 2015 e 2016, que teriam deixado a universidade sem dinheiro para pagar os escritórios“Segundo ela, cortes de verbas federais realizados nos anos de 2015 e 2016 fizeram com que a universidade não tivesse mais dinheiro para pagar aos escritórios internacionais e manter as patentes.”
- T2 revisada
Os registros oficiais trazem datas anteriores às citadas na entrevista: o pedido no escritório mundial consta como cessado por expiração antecipada em 5 de março de 2011“A patente junto ao World Intellectual Property Organization (WIPO) , aparece como “cessada por expiração antecipada”, o que poderia ter sido motivado pela falta de pagamento junto ao escritório de registro. Esse status é de 5 de março de 2011.”
- T2 revisada
No escritório norte-americano o pedido consta como abandonado após falha em responder a uma ação do escritório, em 5 de agosto de 2014“No United States Patent and Trademark Office (USPTO) , a patente aparece como “abandonada após falha em responder a uma ação do escritório”. O abandono foi confirmado após outra potencial falta de pagamento. Esse status é de 5 de agosto de 2014.”
- T2 revisada
No escritório europeu o pedido consta como retirado, em 11 de dezembro de 2014“Por fim, a patente registrada no European Patent Office (EPO) aparece como “retirada”, o que também poderia ser motivado pela falta de pagamento do registro. Nesse caso, o status data de 11 de dezembro de 2014.”
- T2 revisada
A própria pesquisadora frisa que o único caso de recuperação total dos movimentos foi de um paciente que recebeu a substância menos de 24 horas após a lesão“ela frisa que o único caso de recuperação total dos movimentos foi alcançado em um paciente que recebeu a substância menos de 24 horas após a lesão medular.”
- T2 revisada
Entre as correções que ela anunciou está um gráfico que atribuía a um paciente morto cinco dias após o procedimento cerca de 400 dias de acompanhamento“Correção em um gráfico que atribuía a um paciente morto cinco dias após o procedimento dados de acompanhamento de cerca de 400 dias — erro que, segundo a pesquisadora, ocorreu por digitação e na verdade pertence a outro participante;”
- T2 revisada
Ela sustenta que as mudanças não alteram os dados nem as conclusões do estudo, e visam melhorar a apresentação das informações“De acordo com a pesquisadora, as mudanças não alteram os dados nem as conclusões do estudo, mas visam melhorar a forma de apresentação das informações.”
- T2 revisada
Os primeiros dados em humanos foram divulgados em fevereiro de 2024 como pré-print, versão preliminar publicada antes da revisão por outros pesquisadores“O estudo foi divulgado em fevereiro de 2024 como pré-print — versão preliminar de um artigo científico publicada antes da revisão por outros pesquisadores.”
- T2 revisada
A pesquisadora afirmou que os pacientes não estavam em choque medular e passaram por testes para descartar o quadro, informação que entraria na nova versão do artigo“Em entrevista ao Estado de S. Paulo, a pesquisadora afirmou que os pacientes não estavam em choque medular quando receberam a aplicação e que passaram por testes para descartar o quadro, informação que estará na nova versão do artigo.”
- T2 revisada
Uma patente de medicamento dura no máximo vinte anos contados do pedido; depois desse prazo outros fabricantes podem produzir versões similares ou genéricas“Novos medicamentos são protegidos por patente por um período máximo de 20 anos do pedido de registro. O prazo garante à farmacêutica que arcou com os custos de desenvolvimento o direito de comercializá-lo de forma exclusiva pelo período. Depois, outros fabricantes podem produzir versões similares ou genéricas.”
- T2 revisada
O primeiro pedido de patente foi feito em 2007 no INPI, para uma versão ainda inicial da polilaminina, e essa proteção está chegando ao fim“Ainda em 2007, a pesquisadora deu entrada com um primeiro pedido de registro de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) destinado ao uso de uma primeira versão da polilaminina, ainda inicial, para lesão medular. Essa licença chega ao fim no ano que vem.”
- T2 revisada sustenta a tese
Em 2016 a universidade informou que não tinha recursos para a anuidade da patente brasileira, e a própria pesquisadora pagou cerca de quinhentos reais para manter a licença válida“Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Tatiana chegou a contar que, em 2016, a universidade informou a pesquisadora que não tinha recursos para arcar com a anuidade da patente, quando ela própria pagou o valor de cerca de 500 reais para manter a licença válida.”
- T2 revisada sustenta a tese
Os pedidos nos Estados Unidos e na Europa deixaram de ser pagos em 2014, após avaliação da universidade de que não valia mais a pena arcar com os custos“Internacionalmente, a UFRJ também já havia feito um pedido de patente da polilaminina nos Estados Unidos e na Europa, mas que deixou de ser pago em 2014 após uma avaliação da universidade de que não valia mais a pena continuar a arcar com os custos”
- T2 revisada
A pesquisadora diz que houve avaliação técnica de que as patentes não seriam concedidas, que o custo era alto, e que a decisão lhe foi comunicada sem que ela concordasse“Houve uma avaliação técnica de que essas patentes não seriam concedidas no futuro, e que era um custo alto que não valeria a pena pagar. Foi uma decisão que me foi comunicada. Eu não concordava, mas não era uma decisão minha.”
- T2 revisada sustenta a tese
A empresa depositou uma nova patente, do processo de extração, purificação e polimerização, e repetiu o pedido no exterior em 2023, em países como China, Índia e Estados Unidos“Dessa vez, a solicitação englobou o processo de extração, purificação e polimerização do produto final, que é o que está atualmente na primeira etapa dos estudos clínicos e, futuramente, poderá ser comercializado como medicamento. Esse mesmo pedido foi feito também internacionalmente, em 2023, em países como China, Índia, Estados Unidos e outros da América Latina e da comunidade europeia.”
- T2 revisada
Especialista em propriedade intelectual afirma que é comum universidades manterem patentes internacionais apenas até certo ponto, por custo e logística, porque o esquema de patentes é de quem visa mercado“É muito comum que elas depositem a patente e mantenham apenas até um certo ponto, porque não têm condições de fazer um manejo desse cenário global. Por custos, mas também por logística, porque a universidade vive de pesquisa básica, e esse esquema de patentes é algo de quem já está visando o mercado.”
- T2 revisada
O vice-presidente de pesquisa da empresa afirma que a primeira patente é da molécula e a segunda é do processo de produção, e que ninguém poderá produzir o medicamento enquanto ela estiver vigente“A primeira patente é referente à molécula em si. A segunda, que fizemos, é referente ao processo de produção desde a placenta até a obtenção do medicamento. Então ela protege a produção do medicamento que está sendo testado. Ninguém vai poder produzir ele enquanto ela estiver vigente.”
- T2 revisada
O laboratório alerta que a eficácia deve diminuir quanto mais distante da lesão for a aplicação, e que lesões com mais de noventa dias ainda são objeto de estudos em animais“Até mesmo o laboratório que fabrica a proteína publicou em seu perfil no Instagram um comunicado em que alerta que a eficácia do produto deve diminuir quanto mais distante do momento da lesão for feita a aplicação. Casos de lesões com mais de 90 dias estão sendo alvo de estudos experimentais em animais.”
- T2 revisada
A Anvisa autorizou 33 pacientes a usar a substância fora dos estudos clínicos, por uso compassivo, depois de decisões judiciais favoráveis“A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) concedeu autorização para 33 pacientes utilizarem polilaminina fora dos estudos clínicos conduzidos pela professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Tatiana Sampaio .”
- T2 revisada
Uso compassivo é quando um medicamento ainda não aprovado é liberado em caráter excepcional para paciente com doença grave ou sem outras opções, fora de estudo clínico e com autorização sanitária“As permissões foram dadas a pessoas que obtiveram decisões judiciais favoráveis ao uso da substância por uso compassivo, isto é, quando um medicamento ainda não aprovado é liberado, em caráter excepcional, para pacientes com doença grave ou sem outras opções de tratamento.”
- T2 revisada
A patente que protege os processos de fabricação foi registrada pela empresa em 2022 e vale até dezembro de 2042 no Brasil; o pedido internacional, de 2023, vale até 2043“A patente da polilaminina, medicamento experimental desenvolvido na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em testes para tratar lesão medular, vale até dezembro de 2042 no Brasil. O laboratório Cristália, que estabeleceu uma parceria com a UFRJ para produzir e comercializar o remédio, registrou a licença que protege os processos de fabricação da substância em 2022 no país. Além disso, fez o pedido de registro”
- T2 revisada
Os três milhões em royalties foram o maior valor já recebido pela UFRJ nesse formato“Em dezembro de 2023, a pesquisa rendeu R$ 3 milhões em royalties à UFRJ, divididos entre os inventores, a universidade e o Instituto de Ciências Biomédicas — o maior valor já recebido pela instituição nesse formato”
- T2 revisada
A versão revisada do estudo foi submetida a duas revistas nomeadas, Springer Nature e Journal of Neurosurgery, e rejeitada pelas duas“Tatiana Sampaio também afirmou que uma versão revisada do estudo já foi submetida a duas revistas científicas — Springer Nature e Journal of Neurosurgery —, mas foi rejeitada”
Corroboração independente
Literatura fora da enciclopédia, encontrada por busca em bases acadêmicas. Cada trecho foi conferido: ele existe mesmo na passagem publicada. A leitura é sua — não classificamos aqui se a passagem confirma ou contraria, porque essa é a parte que exige julgamento.
- T2 revisada
Crossref — Journal of Cell Science“Laminin, a major component of basement membranes, can self-assemble in vitro into a typical mesh-like structure, according to a mass-action-driven process. Previously, we showed that pH acidification dramatically increased the efficiency of laminin self-assembly, practically abolishing the necessity for a minimal protein concentration. Here we have characterized the morphologies of laminin matrices produced in either”
- T2 revisada
Google Books — Biomimetic, Bioresponsive, and Bioactive Materials, Matteo Santin, 2012-04-10“laminin polymers assembled in acidic pH mimic basement membrane organisation . J Biol Chem 283 : 11714–11720 ...”
- T2 revisada
Crossref — Journal of Cell Science“Previously, we showed that pH acidification dramatically increased the efficiency of laminin self-assembly, practically abolishing the necessity for a minimal protein concentration. Here we have characterized the morphologies of laminin matrices produced in either neutral or acidic conditions and compared their capacities to induce neuritogenesis of rat embryonic cortical neurons.”
- T2 revisada
Crossref — The FASEB Journal“Polylaminin, a polymeric form of laminin, promotes regeneration after spinal cord injury. FASEB J . 24, 4513–4522 (2010). www.fasebj.org”
- T2 revisada
Crossref — The FASEB Journal“ABSTRACT Regeneration of spinal cord injury (SCI) is a major topic of biomedical research. Laminin is an extracellular matrix protein implicated in neural development and regeneration, but despite that, there are no reports of exogenous laminin contributing to improve the outcome of experimental SCI. Here we investigated whether a biomimetic polymer of laminin assembled on pH acidification, henceforth called polylami”
- T2 revisada
Crossref — Spinal Cord“Abstract Study design Investigator-initiated, single-arm, first-in-human pilot study. Objectives To evaluate the safety and feasibility of intramedullary administration of polymerized laminin in individuals with acute complete spinal cord injury (SCI). Setting Public and private hospitals in Brazil. Methods Eight patients with acute traumatic SCI classified as AIS A (C4–T12) were enrolled within days after injury (me”
- T2 revisada
Crossref — Spinal Cord“Eight patients with acute traumatic SCI classified as AIS A (C4–T12) were enrolled within days after injury (mean 2.3 days).”
- T2 revisada
Crossref — Spinal Cord“Study design Investigator-initiated, single-arm, first-in-human pilot study.”
- T2 revisada
Crossref — Spinal Cord“The study was initiated in December 2016, prior to current requirements for prospective trial registration.”
- T2 revisada
Crossref — Spinal Cord“Although the study design does not allow conclusions regarding efficacy, it provides proof-of-concept for this therapeutic approach and justifies further evaluation in controlled clinical studies.”
As imagens deste vídeo
Toda fotografia e todo documento que aparece no vídeo está listado aqui, com autor, licença e o endereço de onde saiu. As ilustrações a carvão são geradas por nós e se anunciam como interpretação: o canal não fabrica fotografia.
- Coluna vertebral com dissecção de nervos e vasos (Wellcome V0007921)
Wellcome Collection (Wellcome Images, V0007921) · CC BY 4.0 · escolhida à mão, fora da busca automática
- Tatiana Sampaio – Aula Magna UFRJ - 35 anos do SUS e seus desafios.jpg
Falcão Alado · CC BY 2.0 br
- Sala de aula vazia
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- Mãos segurando carteira vazia e celular
Foto de Emil Kalibradov no Unsplash · Licença Unsplash (uso livre, crédito ao fotógrafo) · escolhida à mão, fora da busca automática
- Entrega de Comendas à Pesquisadora Tatiana Sampaio e Equipe - Tatiana Sampaio - 26.02.2026 (55117097802) (cropped).jpg
Assembleia Legislativa do Espírito Santo from Vitória-ES, Brasil · CC BY 4.0
- Moeda no chão ao lado de uma tesoura
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- Entrega de Comendas à Pesquisadora Tatiana Sampaio e Equipe, 26/02/2026
Assembleia Legislativa do Espírito Santo · CC BY 4.0 · escolhida à mão, fora da busca automática
- Líquido sendo pipetado em tubos de ensaio
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- Ondas quebrando na praia
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- Papéis amassados sobre folhas pautadas
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9 ilustrações a carvão, feitas para este vídeo. Não são documento e não imitam fotografia.
27 diagramas animados, feitos para este vídeo. Todo número desenhado neles tem fonte na apuração acima.
A música deste vídeo
Obra em domínio público não é gravação em domínio público: a composição de Satie é livre desde sempre, mas cada execução tem direito próprio do intérprete. Todas as gravações abaixo são CC0 ou domínio público na própria gravação, com a página de origem.
- Erik Satie — Gnossienne no 6
La Pianista · Public domain
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La Pianista · Public domain
- Erik Satie — Gnossienne no 1
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- Erik Satie — Gymnopédie no 2 (violão)
Michael Laucke · domínio público
- Erik Satie — Gnossienne no 3
La Pianista · Public domain
- Erik Satie — Gnossienne no 2
La Pianista · Public domain
- Erik Satie — Gnossienne no 5
La Pianista · Public domain
- Erik Satie — Gnossienne no 7
La Pianista · Public domain
- Erik Satie — Gymnopédie no 1 (violão)
Michael Laucke · domínio público
Como esta apuração foi feita
O roteiro deste vídeo foi escrito a partir desta ficha e somente dela. Nada que não esteja aqui é dito no vídeo — nem uma data, nem um nome. Antes de virar roteiro, a ficha passa por três conferências automáticas: se cada citação existe mesmo no material recolhido, se cada data é confirmada na precisão em que é afirmada, e se a afirmação que sustenta o vídeo vem de fonte primária ou de literatura revisada — não de enciclopédia.
T1 primária registro primário: arquivo oficial, artigo original com DOI, patente, jornal de época. T2 revisada literatura revisada: livro, artigo acadêmico, base estruturada. T3 terciária enciclopédia — citada pela revisão exata consultada, porque a página muda e a revisão não.
Achou um erro? Aponte nos comentários do vídeo, com a afirmação e a fonte. Correção pública vale mais para este canal do que acerto silencioso — e o vídeo, uma vez publicado, não pode ser editado. Esta ficha pode: quando algo muda, ela é atualizada e a data abaixo muda junto.
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0020-tatiana-sampaio · apurada em 2026-09-11 · publicada em 2026-09-26 · aprovado